domingo, 10 de julho de 2011

She's so used

Ela está mais uma vez sentada, naquele mesmo banco, observando as mesmas pessoas passarem diante dela. A maioria a conhece. Uns dão um acenozinho discreto, outros fingem não vê-la. Ela já está tão acostumada.
Quantas vezes mesmo ela já se perguntou o que estava fazendo ali? Não sei dizer, foram muitas. Mas lhe garanto que nunca havia uma resposta verdadeira. Sempre desculpas tolas que sua própria mente criava para dar algum sentido a tudo. A verdade era que não havia motivo algum para ela estar ali. Mas ela já estava tão acostumada.
Ela chegou até um ponto em sua vida, em que ela, depois de varias experiências, sabe que nada vai mudar. Não naquele banco. Não enquanto ela observa aquelas pessoas. Será que todas elas também tiveram experiências ruins? Será que passaram pelas mesmas dores que ela? Será que tiveram noites em que não conseguiam parar de chorar? Ou era apenas ela? A garota que foi destinada a sofrer, como sua mente acusava. A isso, ela também já estava acostumada.
Pessoas vêm. Pessoas vão. Na vida dela é mais natural as pessoas irem. Eles sempre vão. Como diz aquela menina naquele seriado de TV: todo mundo sempre vai embora. Mas e quanto a ela? A garota sonhadora sentada no banco da praça da pequena cidade. Qual era o destino dela? Seria mesmo sofrer? Não. Ninguém merece um destino assim.
E quem foi que perguntou se ela merece ou não? Ela apenas terá. É o destino.

Dane-se, ela pensa, vou mudar isso. Nenhum destino idiota vai me controlar.

Mas ela não se mexe. Continua ali, no banco, observando as pessoas fingirem que não a estão vendo. Por quanto tempo ela está ali mesmo? Nem ela sabe. Já está tão acostumada.

Long night


A dor selou minha mente. Me fez deixar tudo. Agora, as noites repetem meus vacilos, atormentando meus sonhos com a imagem refigurada dos meus pecados. As coisas mais estúpidas e imperdoáveis que já fiz. Que, por razão alguma eu tornarei a praticar. Mas que me atormentam. Sem compaixão. É necessário, eu reconheço, mas também é doloroso e enlouquecedor. A dor da minha alma podre e suja. Ultrapassando qualquer forma de purificação. Quando o desespero toma a minha cama por completo, é um choro indígno e sem poder, me fazendo cair aos pés do provável Senhor que um dia dirá as palavras que eu procuro, que me farão aprender a respeitar aquilo que eu de forma ignorante e vergonhosa joguei no lixo. Quem sabe então eu serei digna e exemplar, poderei andar com meus olhos abertos, sem ter mais que esconder que, eu não sou... o que eu não consegui fazer.
 Se o Senhor compreender a minha voz e me resgatar, para que tudo o que eu fiz possa melhorar. E na primeira hora, da minha nova alma, eu direi o nome do Senhor e refarei os meus sonhos. Não importa o destino que eu queira alcançar eu não estarei sozinha e minhas preces serão fortes e o Senhor não irá arrepender-se de redesenhar minhas digitais. Pois, minhas mãos estarão limpas, porque eu estarei do lado certo.

 Senhor eu sei que, essa foi mais uma longa noite. E que agora eu estou em baixo, eu não tenho inocência, as covardias que pratiquei não estão marcadas na minha pele, mas deixam o meu caminho até o Senhor escorrer pela minha vida, assim eu estarei de fora, Senhor. Essas heranças do meu passado alongam meus pedidos de correção, eu caio mais ainda, porque não tenho méritos para segurá-lo aqui. Eu não tenho.

Por Amanda Eloy

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