Ela está mais uma vez sentada, naquele mesmo banco, observando as mesmas pessoas passarem diante dela. A maioria a conhece. Uns dão um acenozinho discreto, outros fingem não vê-la. Ela já está tão acostumada.
Quantas vezes mesmo ela já se perguntou o que estava fazendo ali? Não sei dizer, foram muitas. Mas lhe garanto que nunca havia uma resposta verdadeira. Sempre desculpas tolas que sua própria mente criava para dar algum sentido a tudo. A verdade era que não havia motivo algum para ela estar ali. Mas ela já estava tão acostumada.
Ela chegou até um ponto em sua vida, em que ela, depois de varias experiências, sabe que nada vai mudar. Não naquele banco. Não enquanto ela observa aquelas pessoas. Será que todas elas também tiveram experiências ruins? Será que passaram pelas mesmas dores que ela? Será que tiveram noites em que não conseguiam parar de chorar? Ou era apenas ela? A garota que foi destinada a sofrer, como sua mente acusava. A isso, ela também já estava acostumada.
Pessoas vêm. Pessoas vão. Na vida dela é mais natural as pessoas irem. Eles sempre vão. Como diz aquela menina naquele seriado de TV: todo mundo sempre vai embora. Mas e quanto a ela? A garota sonhadora sentada no banco da praça da pequena cidade. Qual era o destino dela? Seria mesmo sofrer? Não. Ninguém merece um destino assim.
E quem foi que perguntou se ela merece ou não? Ela apenas terá. É o destino.
Dane-se, ela pensa, vou mudar isso. Nenhum destino idiota vai me controlar.
Mas ela não se mexe. Continua ali, no banco, observando as pessoas fingirem que não a estão vendo. Por quanto tempo ela está ali mesmo? Nem ela sabe. Já está tão acostumada.
